Vórtice

Vórtice: aquele personagem ou evento num enredo que desencadeiam uma série de acontecimentos dentro de uma história.

Eu particularmente gosto muito desse tipo de conceito narrativo. O personagem ou o acontecimento pode ser grande ou pequeno, mas um bom texto vai te surpreender com todas as pequenas ligações entre as partes e sobre como tudo aquilo seria diferente se as asas da borboleta não tivessem  batido naquele instante. Dragon Age II é um ótimo exemplo de como todos os elementos de uma trama são usados e estão conectados a um grande evento central – normalmente a maior quest de cada Ato do jogo – colocando o protagonista como o cara que estava na hora certa no lugar errado (sim, principalmente porque em DAII o protagonista só se lasca). Hawke é simplesmente sugado para o vórtice dos acontecimentos, um a um: primeiro o Blight, depois a expedição para as Estradas Profundas, a Rebelião Qunari e por fim a Explosão da Chantria de Kirkwall. As pessoas podem dizer o que quiserem de DAII, mas jamais reclamar de como seu enredo se desenrola ou de como seus personagens interagem, porque tudo simplesmente é muito bem amarrado.

Enquanto vou tentando trabalhar esse conceito em Hirador, continuo me surpreendendo em como esses vórtices também podem ser identificados na vida, ainda que normalmente só depois de um tempo.

Diversas vezes esse ano, recebi aquelas notificações do Facebook me avisando sobre como havia completado um ano de amizade na plataforma com alguém e isso me ajudou a colocar em perspectiva como um evento absolutamente banal – montar uma mesa de RPG – colocou em movimento uma série de acontecimentos e relações (que movem ainda mais acontecimentos, por sua vez). Pode soar prepotente, mas meu narciso interior dança de alegria cada vez que penso como fui a responsável direta ou indireta por algumas dessas coisas, como as pessoas que escolhi para compartilhar daquela aventura comigo simplesmente não me decepcionaram em momento algum e tornaram a minha experiência como DM única e preciosa. Sinceramente, espero que a mesa e o jogo esteja sendo tão significativo para eles quanto é para mim. Como (mais uma das) sofredora da síndrome do impostor, pensar que eu fiz uma coisa certa na vida – ainda que apenas uma mesa de RPG – às vezes é a única coisa que tenho pra passar por mais um dia de trabalho.

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